Você conhece o sistema de cultivo “safra zero”?
O programa de manejo denominado “safra zero” se apresenta como excelente opção tecnológica para o café. Este programa foi criado pelo engenheiro agrônomo Tomas Eliodoro da Costa, ex-funcionário público paulista da atividade cafeeira.
“A sua proposta foi colocada em prática e com avaliações desde 1991 em propriedades da Companhia de Cafés Bom Retiro, localizadas nos municípios paulistas de Itupeva, Itabira, Espírito Santo do Pinhal e Cristais Paulistas, em lavouras de 12 e 20 anos das variedades Catuaí e Mundo Novo.
Os resultados financeiros positivos mostram que é possível implantar uma tecnologia de podas de esqueletamento e decotes das plantas adultas, reduzindo problemas de doenças, diminuindo custos de produção e garantindo produtividade média da lavoura tendo uma safra cheia e outra safra sem frutos, “tal como faz a natureza, que carrega num ano e faz a outra fraca, só que a proposta é de forma planejada.”
O programa começa logo após o ano de safra alta, com decote da lavoura e em seguida é feito o esqueletamento.”1 A poda em plantas perenes é uma técnica tradicional, praticada desde que o produtor percebeu melhorias na frutificação das brotações novas.
Na cultura do café não é diferente e a produção dos frutos geralmente ocorre nos ramos mais novos e enfolhados, devido à capacidade que eles têm de armazenar reservas de carboidratos e nutrientes para a formação das gemas reprodutivas, que mais tarde darão origem às flores e posteriormente aos frutos.
Ao envelhecerem, os ramos perdem a capacidade de armazenar as energias responsáveis pela floração, comprometendo a produtividade da lavoura. Assim, o objetivo da poda é recuperar ou manter a estrutura reprodutiva (ramos) dos cafeeiros, e dessa forma melhorar a produtividade, o que compensa o crescente aumento dos custos de produção. Entretanto, o procedimento deve ser feito somente após criteriosa análise e, de preferência, com acompanhamento de um especialista.
Caso a poda seja feita sem critérios técnicos pode haver comprometimento da planta com perda de produção, além de aumentar os custos com a desbrota. Além de melhorar a estrutura produtiva das plantas, a poda também traz outros benefícios, como a diminuição da altura das mesmas, abertura de espaçamento, melhoramento do microclima, facilitação da colheita, entre outros.
O programa “safra zero” se credencia como uma excelente tecnologia para o café porque o seu manejo respeita a bianualidade do cafeeiro, se baseando no descarte de uma colheita — a do período de ciclo baixo —, para priorizar o ciclo alto.
Nos períodos em que a produção seria de menor porte são executadas podas ou recepas nas plantas. Assim, ao longo de um ano ela irá se desenvolver mais vigorosamente e, quando da época da produção, apresentará um volume de grãos consideravelmente maior que aquelas que não passaram pela poda.
Além do ganho de produção, há outras vantagens como a não ocorrência de gastos com colheita em determinado ciclo, o fato de ser desnecessária a arruação e esparramação, redução de gastos com insumos (ano da poda só adubo nitrogenado).
Além disso, o “Safra Zero” permite a redução de gastos com defensivos, racionalização de infra-estrutura de preparo, pois não há colheita em parte ou toda lavoura .outro grande benefício que a grande quantidade de material vegetal oriundo da poda de limpeza, toneladas de matéria seca promovem a ciclagem de nutrientes.


Gostou das notícias? Então cadastre-se em nosso informativo! São poucas mensagens por mês com as principais notícias e eventos do agronegócio no Brasil.